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Clubes pedem no STF suspensão da MP que proíbe as bets no Brasil

Em audiência pública, dirigentes de Grêmio e Vitória disseram que os patrocínios de apostas sustentam as contas, e o ministro da Saúde alertou para o risco da ludopatia.

Por Redação Lagoa Online ·

Foto: Walterson Rosa/MS/ Radioagência Nacional

Clubes falam em risco financeiro

O vice-presidente do Grêmio, Eduardo Schumacher, criticou a suspensão repentina da publicidade e dos patrocínios das casas de apostas. Segundo ele, o contrato de patrocínio máster do clube serve para sustentar salários de atletas e funcionários, categorias de base, futebol feminino e compromissos com credores, e deixou de existir da noite para o dia. Schumacher lembrou ainda que o Grêmio passou cerca de um ano sem patrocinador máster, por falta de empresas dispostas a investir como as bets.

O representante do Vitória, André Sica, disse que o clube baiano já corre o risco de ficar sem recursos. Ele reiterou o pedido de suspensão da MP para que a atividade volte e os pagamentos sejam feitos. Também defendeu que o Congresso trate do tema com uma nova regulamentação, com período de transição e, eventualmente, mais fiscalização do setor.

Fux e Padilha citam os riscos à saúde

O ministro Luiz Fux afirmou que a Corte já debateu o assunto. Em 2024, ao julgar ações contra a lei que autorizou as bets, ele votou contra as apostas esportivas. Segundo Fux, foi a escuta da sociedade que deu base ao voto sobre os reflexos do vício em jogo na saúde.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que o retorno das apostas é um perigo para a saúde pública. Ele afirmou que 65% das mulheres têm vergonha de procurar atendimento mesmo quando reconhecem o vício. Citou também pesquisas segundo as quais o jogo eletrônico multiplica por 15 o risco de suicídio, e relatou o aumento da procura por serviços de saúde por causa da ludopatia.

Preocupação dos atletas

A Federação Nacional de Atletas Profissionais de Futebol também participou. A entidade manifestou preocupação com a parte dos contratos com as bets que cabe aos jogadores, com o risco de desemprego entre os profissionais e com o avanço do mercado irregular de apostas online.