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Clubes dizem no STF que fim das bets ameaça receitas e contratos

Em audiência pública, representantes de times cariocas, paulistas e mineiros questionaram a proibição das apostas de quota fixa e o prazo de adaptação.

Por Redação Lagoa Online ·

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Representantes de clubes de futebol afirmaram, em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (3), que a proibição das apostas de quota fixa compromete receitas previstas em contratos firmados sob as regras então vigentes. As informações são da Agência Brasil.

Contratos firmados sob regras anteriores

O vice-presidente do Flamengo, Flávio Willeman, disse que o clube estruturou suas finanças com base na regulamentação da época. Segundo ele, o fim das bets pode retirar cerca de R$ 430 milhões por ano das receitas rubro-negras.

O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, afirmou que o impacto vai além dos patrocínios diretos, pois as empresas de apostas também compram cotas de publicidade das emissoras e, assim, influenciam os direitos de transmissão. Ele criticou o prazo de dez dias para adaptação e disse que nenhum mercado no mundo restringiu a publicidade do setor em menos de dez meses.

Recuperação judicial e competição regional

O advogado do Botafogo, Bichara Abidão Neto, lembrou que a SAF está em recuperação judicial e que o plano considera os recursos do patrocínio máster com uma casa de apostas. O representante do Cruzeiro, José Francisco Manssur, alertou para o desequilíbrio frente a clubes argentinos, que seguirão com bets nas camisas.

O São Paulo pediu que o STF leve em conta contratos firmados de boa-fé e defina regras de transição, caso a proibição seja mantida. O Corinthians reconheceu o vício em apostas como problema, mas defendeu adaptação gradual.

A posição do governo

No fim de setembro, o governo federal proibiu as apostas esportivas e os jogos online, em pacote contra o endividamento das famílias e o uso compulsivo de jogos virtuais. O país tinha cerca de 50 milhões de usuários e mais de 80 empresas no setor. O governo cita aumento de casos de ansiedade, depressão, alcoolismo e suicídio. A Associação Nacional de Jogos e Loterias acionou o STF para pedir a retomada das operações e da publicidade.